A (H)onda ecológica

28 12 2010

O petróleo não durará eternamente. Todos compreendemos esta situação, todos estamos preocupados em saber o que fazer para tentar minimizar as consequências de tal acontecimento no nosso dia-a-dia. Várias marcas automóveis estão a criar carros “eficientes”, capazes de evitar ou pelos menos minimizar a utilização deste recurso escasso.

Híbridos

Os híbridos, automóveis que funcionam através do uso de baterias e motor de combustão normal, são os mais vistos nas ruas. O funcionamento destes carros é simples: a altas velocidades o motor de gasolina é utilizado normalmente (e enquanto carrega o motor eléctrico), a baixas velocidades o motor eléctrico encarrega-se de fazer rodar as rodas.

O melhor exemplo destes veículos é o Toyota Prius. Este veículo funciona do mesmo modo que descrevi em cima, contudo eu não quereria um, nem que mo oferecessem. Passo a explicar, a ideia destes veículos híbridos consiste em consumir o mínimo possível de combustível. Este Toyota consome 5,2 litros por cada 100 km percorridos, o que é incrivelmente fraco comparado com carros que funcionam a diesel (gasóleo), como o Volkswagen Polo Bluemotion que consegue consumir apenas 3,4 l / 100 km… Já para não falar que num funcionamento de 10 voltas a fundo pelo pista de testes do Top Gear se revelou menos económico que um BMW M3!

Já não falando da fama do Prius. Atraídos pela fama de carro salvador do planeta, os famosos americanos compram estes carros para se gabarem de que estão a proteger o planeta. Nas palavras de Jay Leno, “os americanos gostam que as outras pessoas tomem conhecimento do trabalho que fazem, anonimamente, pelo bem”… Bingo.

100% eléctricos

Para além dos híbridos, existem, também, os carros 100% eléctricos. Nesta categoria encontra-se, por exemplo, o Nissan Leaf ou o G-Wiz, contudo tratam-se de veículos com tecnologia muito primitiva (andam a baixas velocidades e com uma curta autonomia) quando comparados com o expoente máximo: o Tesla Roadster.

 

O Tesla Roadster, um carro eléctrico com performances atractivas

Com 6031 baterias de portátil como motor, e baseado num Lotus Elise, o Tesla tem uma autonomia de quase 400 km e consegue chegar dos 0-100 km/h em apenas 3,7 segundos (menos do que a versão descapotável do Pagani Zonda)! Já para não falar que é o único carro eléctrico que parece ter linhas convencionais, sem exageros, como os restantes carros que apelam à “revolução” do visual do automóvel. Nas palavras de Franz von Holzhausen, o designer, “ultrapassámos a ideia que um carro amigo do ambiente necessita de um visual diferente. As pessoas não querem sacrificar nada, incluindo estilo, para possuirem um carro eficiente”.

Contudo sofre do mesmo problema que todos os carros eléctricos, o tempo de carregamento é de 16 horas, o que até pode parecer bastante bom, um pequeno preço a pagar por se estar a salvar o mundo. Não nos esqueçamos, no entanto, de como é gerada a maior parte da energia que chega às tomadas ao redor do mundo: a queima de petróleo…

A alternativa da Honda

Face a este impasse a Honda lançou em 2008 o FCX Clarity. De fora, parece exactamente como um carro absolutamente normal: um “look” interessante sem parecer excessivamente revolucionário. No entanto, no seu modo de locomoção, apresenta a todos uma ideia engenhosa. O FCX funciona a hidrogénio.

Com um tanque de combustível, como um carro a gasolina, só que enchido com hidrogénio líquido, que misturado com oxigénio através de um processo que me pareceu demasiado complicado para explicar rapidamente, produz electricidade que é fornecida a um motor eléctrico, que faz as rodas da frente girar. Quando o depósito se tornar vazio, faz-se precisamente o mesmo que com um carro movido a gasolina: vai-se a bomba encher o carro durante 5 minutos.

 

Veículos movidos a hidrogénio: o futuro?

O preço do hidrogénio é, cerca de, duas vezes mais caro ao litro que o da gasolina, e é incrivelmente complicado de encontrar separado na Natureza, visto que é um elemento que tem uma grande tendência a “agarrar-se” a outras coisas. Para estas duas complicações existem, no entanto, duas soluções: embora mais caro, o hidrogénio consome-se a um ritmo inferior, com o Honda FCX a fazer 1l /100 km, metade que o VW diesel referido anteriormente neste artigo; no que toca a levar o hidrogénio para as bombas, creio que não deverá ser assim tão complicado, basta que as bombas de reabastecimento coloquem um ponto à sua disposição, e quanto à sua separação de outros elementos, isso poderá ser aperfeiçoado, e não deverá ser muito mais complicado que retirar petróleo debaixo do oceano…

De facto esta opção, parece-me a mais eficaz para o mundo em que vivemos hoje, visto que não implicaria nenhuma alteração no nosso dia-a-dia, já que continuaria a envolver a liberdade de conduzir sem o constante medo de que a bateria esgote. Antes pelo contrário envolveria uma maior autonomia, graças aos consumos muito inferiores aos de hoje.

Nas palavras de James May, “A razão de ser o carro do futuro, é porque é tal como o carro de hoje”.

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6 responses

3 11 2011
comentador

“O petróleo não durará eternamente. Todos compreendemos esta situação, todos estamos preocupados em saber o que fazer para tentar minimizar as consequências de tal acontecimento no nosso dia-a-dia. ”

O fim do petróleo é muitas vezes visto como o fim do mundo, teria, sem dúvida, consequências traumáticas para as nossas vidas.

Mas, o que será mais traumático, aqueles que futuramente, quando o petróleo estiver no limite, não poderão tirar as suas belas latas da garagem; ou aqueles que nem a têm hoje, seja por impossibilidade ou opção, e transportam-se em transportes públicos? Coitadinhos dos primeiros…

Existe uma opção muito eficaz, para fazer frente ao problema: a redução drástica do uso de transporte privado, transferindo-se para o uso dos transportes verdadeiramente sustentáveis, os coletivos. Ou até o privado, e este 100% sem emissões, chama-se bicicleta, parece que é último grito da tecnologia.

4 11 2011
formulapt

Antes de mais, através deste post eu pretendia alertar e mencionar as alternativas que existem ao petróleo. Estas alternativas tanto podem ser para o automobilismo como para o dia-a-dia de todos nós.

Aliás, concordo plenamente consigo quando diz que devemos todos andar mais de transportes públicos, caso exista essa hipótese.

Pelo teor da sua resposta calculo que não seja um grande fã do automobilismo e dos automóveis como nós, mas não é essa a questão. A questão é que não queria transparecer que a minha única preocupação é com os automóveis. Como também está expresso neste post, refiro-me à dependência criado sobre o petróleo, até na electricidade das tomadas das nossas casas.

Quando eu me referi a minimizar as consequências do fim do petróleo não me estava a referir só a automóveis, mas também a questões práticas (como de onde surge a electricidade que consumimos). Creio que, portanto, compreendeu mal a minha intenção nessas palavras.

28 12 2010
Speeder_76

Gostei do artigo, bem explicado. Não sei se sabes, mas no inicio dos automóveis, havia imensos modelos eletricos, mais eficazes porque tinham menos problemas do que a refinação do petróleo, mas eles desapareceram nos anos 20 quando a refinação se tornou mais barata.

Acharia irónico se dentro de… dez anos, vá lá, começarem a refinar o processo da separação do hidrogénio e embaratecerem os custos ao nivel do petróleo. E como toda a gente sabe, o que sai do escape dos carros a hidrogénio é vapor de água. Se eles conseguirem fazer isso, lá vai o elétrico acabar no armário dos esquecidos, queres apostar?

29 12 2010
Julio Cezar Kronbauer

Os grandes problemas de produzir, ou melhor, extrair hidrogênio da natureza para extrair como combustível são a matéria-prima (água), o processo de extração, que é caríssimo, assim como o processo de logística e armazenamento, já que o hidrogênio líquido precisa ser transportado e estar nos postos de abastecimento refrigerados a uma temperatura baixíssima.

Achei excelentes os seus textos. Vou assinar o RSS. Gosto de pessoas que, além de automobilismo, expressam suas opiniões a respeito do entusiasmo pelos automóveis e escrevem artigos sobre mecânica.

29 12 2010
formulapt

Eu só não sou um grande fã dos automóveis eléctricos, pois têm uma velocidade máxima baixíssima e uma autonomia curtíssima, duas das principais razões que me levaram a interessar-me pelos automóveis…

Estes automóveis a hidrogénio têm, no geral, as mesmas características que os actuais, o que faz com que não seja necessária uma revolução, mas antes uma evolução.

29 12 2010
Speeder_76

Em relação à primeira frase, acho que tens de corrigir isso, porque quer o Tesla, quer o Mercedes SLS elétrico são tão velozes como os carros a gasolina. Vai ao Youtube e procura por um test drive feito pelo David Coulthard ao SLS elétrico e verás no que falo.

A autonomia é ainda um quebra cabeças, sem dúvida, veremos se tal será resolvido antes que o processo de separação e armazenamento do hidrogénio esteja evoluido o suficiente para ser um viável substituto da gasolina.

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