Pela sustentabilidade (ou inteligência…)

22 12 2010

Petrov manteve o lugar na Renault

Há muito que vinha sendo especulado o destino do lugar ao lado de Robert Kubica na Renault (ou será Lotus Renault?). A decisão tomada pelo constructor francês acabou por ser a de manter Vitaly Petrov ao seu serviço durante os próximos dois anos.

Confesso não ter ficado particularmente surpreendido. Os rumores acerca da ida de um piloto mais experiente (e quem sabe, melhor…) pareciam-me pouco prováveis, e depois de o “Group Lotus” ter tomado controlo da equipa mais improvável ficou este hipótese. Digo isto, pois o ponto de interrogação pendente sobre a origem dos investimentos por detrás da empreitada de Dany Bahar, levaram-me a acreditar que talvez a equipa necessitasse de uma “ajuda” financeira para manter um bom nível de desenvolvimento do monolugar ao longo do ano.

Fiquei com alguma pena, após a confirmação de Kamui Kobayashi na Sauber para 2011, de os franceses não terem contratado o japonês para o lado de Kubica, numa dupla que seria, sem dúvida, uma das mais extraordinárias do grid. Mais tarde, quando foi noticiada a estreia do GP da Rússia para 2014, ficou claro que a Renault iria manter o russo, já que significaria, com toda a certeza a chegada de patrocinadores oriundos desse país.

Não fiquemos, apesar de tudo, com a impressão de que se tratou de uma “manobra” exclusivamente económica, visto que, embora muito irregulares, Petrov teve os seus momentos de glória, como Fernando Alonso pode testemunhar. Se realmente querem um verdadeiro exemplo de necessidade de capital, olhem para a Williams, que teve que abrir mão de um piloto com incrível potencial, para aceitar o dinheiro que Hugo Chávez deu a troco da entrada de Maldonado na equipa…

Mas creio que ambas as contratações apenas demonstram quão complicado se tornou arranjar o “budget” necessário para manter uma equipa de Fórmula 1 a funcionar.

O problema essencial

Ecclestone recusa-se a ceder parte dos seus lucros

Na minha opinião, aquilo que leva a F1 a ficar tão pouco apelativa para potenciais investidores, e tão desagradável para as marcas automóveis ao redor do mundo que lá se encontram é o retorno.

Investir 100 milhões de euros (mais coisa, menos coisa) poderia envolver menos riscos, se houvesse uma melhor capacidade da categoria em dar lucros a quem, de facto, os merece. A Fórmula 1 gera todos os anos centenas de milhões de euros, contudo ao invés de distribuir estes lucros pelas equipas que investiram, e participam neste desporto, metade destes lucros vão para as mãos de Bernie Ecclestone e a CVC Capital Partners.

A única tarefa destes responsáveis é , na prática, a de organizar os locais onde as corridas se realizam, uma tarefa que, não só deveria ser recompensada por uma percentagem muito menor, mas também tem sido executada como um negócio e não um desporto, levando aos níveis de monotonia com que a esmagadora maioria das corridas actuais são caracterizadas. Tudo para que existam GP’s em países que aceitam pagar valores ridiculamente altos em comparação com os europeus.

Embora a CVC já tenha compreendido (devido à quase separação das equipas para uma categoria paralela em 2009), Bernie ainda não entendeu que quem faz o desporto funcionar são as equipas que nele participam, e sem as quais todo o seu negócio pararia por completo.

Devido a esta falta de um retorno que faça com que as equipas se possam sustentar a si mesmas com os lucros obtidos, várias marcas preferem ingressar noutros categorias com custos de manutenção muito inferiores (como o DTM ou os ralis).

Medidas tomadas

O McLaren de 1988, último ano dos motores turbo na F1

Logo, ao invés de criticarmos a FIA e os novos regulamentos devemos aplaudi-los. A introdução dos motores de 4 cilindros 1.6 turbo é uma medida inteligente, pois é muito usada actualmente nos carros de estrada que vemos todos os dias. As consequências desta medida já se fazem sentir, com Honda e Toyota a planearem um regresso, e o interesse da Volkswagen (com Porsche ou Audi) a aumentar a cada dia.

Muita gente acredita que o espírito da Fórmula 1 consiste em ser o campeonato dos melhores carros do mundo. Discordo por completo (e o Red Bull X1 de Adrian Newey para o GT5 apenas comprovam isto), creio que aquilo que todas as categorias do desporto automóvel devem fazer é ajudar a criar avanços para mais tarde aplicar em carros de estrada.

Ao invés de fazer isto, sempre que alguém coloca no seu carro uma característica brilhante e engenhosa, é rapidamente contestado pelos rivais como injusto e é rapidamente proibido pelos regulamentos, já que na F1, pelos vistos, ser mais inteligente é uma vantagem injusta…

Muitos fãs de F1 querem muita competição renhida entre os carros, mas sem antes captar o interesse das marcas, isto é impossível.

Enquanto vários personagens se recusarem a sair do seu pedestal e dos seus lucros milionários, creio que a única alternativa disponível é tornar os regulamentos mais apelativos para os constructores ao redor do mundo.

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