Evoque-ando o conceito errado

19 12 2010

Segundo a Filosofia existem no mundo os conceitos e os termos (que estão dentro da categoria de instrumentos lógicos). Os conceitos tratam-se das imagens mentais que temos de determinados termos, sendo que os termos se tratam de palavras, através das quais exteriorizamos os nossos conceitos.

Isto também se pode aplicar à indústria automóvel, por exemplo, ao o termo “Mercedes” associo o conceito “luxo”, e ao termo “Ferrari” associo “velocidade”. Todas as marcas foram criando ao longo dos anos a sua imagem, bem como as características que definem os seus produtos (era comum associar pouca fiabilidade aos Lamborghini à uns anos).

Tomemos em consideração a Land Rover. Inicialmente tratava-se de um modelo da marca Rover, lançado em 1948, acabou por se transformar numa construtora automóvel, especializando-se em modelos 4×4, como o seu slogan diz: “the best 4x4xfar” (o melhor 4×4 de longe, um trocadilho no original).

De facto, o conceito que é universalmente colocado à marca é o de carros quase indestrutíveis, capazes de destruir qualquer obstáculo à sua frente, de andarem quase totalmente submersos sem qualquer dificuldade, e de subirem encostas que se encontram a apenas alguns graus de um ângulo recto.

Tendo em conta tudo o que referi acima, só existe uma pergunta possível: o que raios estavam eles a pensar quanto fizeram o novo Evoque?! Inicialmente um protótipo denominado LRX, este novo Land Rover era, no mínimo, peculiar.

Comecemos pelo exterior. Regra geral, todos os automóveis produzidos pela Land Rover caracterizam-se por linhas simples, formas “quadradas”, um carro “sóbrio” que não se deixa cair na tentação de imitar o que os outros fazem, ignorando as modas efémeras que, por vezes, “atacam” a indústria automóvel. O novo Evoque ignora todos estes itens…

Todo o carro inspira algo diferente, uma forte tendência para estilo sobre utilidade, como o demonstra a existência de uma versão de duas portas, que fica estranhíssima num SUV.

O luxuoso interior do Evoque

O interior, é caracterizado por uma apresentação cheia de pormenores, requintada, e, na minha opinião, excessivamente composto. O típico dono de um carro da Land Rover entrará com as botas carregadas de lama, certamente…

Outro pormenor chama-me a atenção: o leque de motores disponíveis. Todas as opções são referidas orgulhosamente como incrivelmente económicos e pouco poluentes, com tracção às rodas dianteiras, opção de um híbrido mais tarde… Esperem lá? A companhia que se orgulha de fazer os melhores 4×4, vai produzir tracção dianteira?

Se estava com dúvidas sobre o veredicto sobre o Range Rover Evoque, elas acabaram de se dissipar, e um olhar pelo site oficial da Range Rover só o confirma ainda mais: este carro não fora construído para subir encostas enlameadas ou atravessar rios.

Este, especificamente, fora produzido com o mesmo propósito da série X da BMW ou a série Q da Audi: ser um carro citadino, grande o suficiente para tentar impôr-se no mercado pela sua opulência, um verdadeiro carro “bling”. Mas os seus números de venda serão exorbitantes, já que, sejamos honestos, há muita gente por aí que prefere as aparências ao resto (como acham que o novo Mini vendeu?).

O Evoque que mais anseio: 4 portas e 4x4

Contudo, em vez de crucificá-lo, vou antes admirar a brilhante estratégia de marketing que a Land Rover realizou. Sob pressão de algumas associações ambientalistas, e antes que o público começasse a pressionar, a marca criou um carro pouco poluente e capaz de vender em grandes números. Com isto, diminuirá as vozes que se erguem sobre os seus outros veículos, e ganha capital que irá manter a sua saúde financeira estável.

É um pouco como quando algumas estrelas de cinema dão apoio monetário às instituições de caridade, procurando assim puder efectuar “abusos” noutras situações sem serem tão criticados pela opinião pública. O Evoque é, portanto, a tábua de salvação da Land Rover.

Tenho apenas uma pequena esperança em relação a este carro: a versão 4×4 de quatro portas. Adoraria que, pelo menos aí, estivesse um pouco da garra associada a um Range Rover.

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